Feridas Crônicas

Nós da bcure, acreditamos muito no potencial terapêutico baseado na modulação do Sistema Endocanabinóide. Prestamos atencão especial para o SEC presente na nossa pele, com seu multifacetado e importante papel. Motivados pela recente publicação de um artigo de revisão sobre o papel do SEC no manejo de feridas crônicas, trazemos este post.

Feridas crônicas são lesões abertas que não cicatrizam em seis semanas ou mais. Elas podem ser causadas por uma variedade de fatores, incluindo:

  • Fatores vasculares: insuficiência arterial ou venosa, trombose venosa profunda, linfedema
  • Fatores neurológicos: neuropatia diabética, lesão da medula espinhal, paralisia
  • Fatores metabólicos: diabetes mellitus, obesidade, desnutrição
  • Fatores inflamatórios: doenças autoimunes, câncer
  • Fatores infecciosos: bactérias, fungos, vírus
  • Fatores mecânicos: pressão prolongada, atrito, cisalhamento

As feridas crônicas podem causar dor, desconforto, perda de função e até mesmo morte. Elas também podem representar um grande custo para o sistema de saúde.

A cicatrização de feridas é um processo complexo que envolve várias fases:

  • Inflamação: Essa fase ocorre nas primeiras 24 a 48 horas após a lesão. Ela ajuda a limpar a ferida de bactérias e detritos.
  • Proliferação: Essa fase ocorre nas primeiras duas semanas após a lesão. Ela envolve o crescimento de novo tecido para preencher a ferida.
  • Maturação: Essa fase ocorre nas primeiras seis semanas após a lesão. Ela envolve a remodelagem do novo tecido para que ele se assemelhe ao tecido original.

O tratamento de feridas crônicas é complexo e requer uma abordagem multidisciplinar. O objetivo do tratamento é promover a cicatrização da ferida e prevenir complicações. As medidas de tratamento incluem:

  • Controle da doença de base: Se a ferida for causada por uma doença, como diabetes mellitus, é importante controlar a doença.
  • Limpeza e desbridamento;
  • Uso de curativos apropriados, escolhidos de acordo com o tipo de ferida e o estágio de cicatrização;
  • Controle da dor: A dor é um sintoma comum de feridas crônicas. É importante controlar a dor para que o paciente possa se movimentar e realizar os cuidados necessários à ferida;
  • Prevenção de infecções.

O prognóstico das feridas crônicas varia dependendo da causa da ferida, da gravidade da lesão e da resposta ao tratamento. Em alguns casos, as feridas podem cicatrizar completamente. Em outros casos, as feridas podem permanecer abertas por meses ou anos, exigindo cuidados contínuos.  Existe uma lacuna nas opções de tratamento para essas lesões que podem tanto impactar a qualidade de vida das pessoas afetadas e a resposta pode estar no Sistema Endocanabinoide.

O Sistema Endocanabinoide e as feridas crônicas

O sistema endocanabinoide (SEC) é um sistema de sinalização celular que desempenha um papel importante na regulação de uma variedade de funções fisiológicas no nosso corpo. O SEC também está presente na pele, onde controla tanto a inflamação excessiva quanto a protetora durante a cicatrização de feridas, promovendo uma reparação saudável. Também auxilia na multiplicação de células, melhora a angiogênese e pode minimizar a deposição excessiva de colágeno e fibrose.  

Pesquisas sugerem que o SEC desempenha um papel em todas as fases da cicatrização de feridas, incluindo:

  • Inflamação: Os canabinóides modulam a resposta inflamatória, ajudando a controlar a inflamação excessiva e promover a inflamação protetora.
  • Proliferação: Os canabinóides estimulam a proliferação de células epiteliais e fibroblastos, que são necessárias para a regeneração do tecido.
  • Maturação: Os canabinóides ajudam a remodelar o novo tecido para que ele se assemelhe ao tecido original.

Além disso, os canabinóides também podem ajudar a controlar a dor, a infecção e a cicatrização hipertrófica.

O artigo de revisão publicado em dezembro de 2023 na revista Biomedicine & Pharmacotherapy,  Chronic wound-related pain, wound healing and the therapeutic potential of cannabinoids and endocannabinoid system modulation, fornece um panorama mais completo  do potencial dos canabinóides para feridas crônicas.

 O artigo destaca os seguintes resultados principais:

  • Evidências pré-clínicas: Dados pré-clínicos extensos demonstram os efeitos benéficos dos canabinóides em vários aspectos da cicatrização de feridas.
  • Modulação dos receptores de canabinóides: Os canabinóides interagem com dois principais receptores no corpo: CB1 e CB2. O CB1 é expresso principalmente no sistema nervoso, enquanto o CB2 é encontrado principalmente nas células imunes. Ambos os receptores desempenham um papel na cicatrização de feridas, com o CB1 focado no alívio da dor e na neuroinflamação, e o CB2 promovendo efeitos anti-inflamatórios e reparo do tecido.
  • Aplicações potenciais: Formulações tópicas de canabinóides podem oferecer alívio da dor localizada e promover a cicatrização de feridas. A administração sistêmica, como a administração oral ou sublingual, pode exercer efeitos anti-inflamatórios e analgésicos mais amplos. A combinação de canabinóides com estratégias de tratamento de feridas existentes pode potencializar a eficácia e reduzir os efeitos colaterais.
  • Desafios e direções futuras: Mais pesquisas são necessárias para abordar os desafios e orientar o desenvolvimento futuro. Isso inclui a padronização de formulações e doses de canabinóides para uso clínico seguro e eficaz, a realização de ensaios clínicos em larga escala para confirmar os benefícios e riscos a longo prazo e a investigação dos mecanismos subjacentes pelos quais os canabinóides influenciam a cicatrização de feridas.

As evidências existentes sugerem que o sistema endocanabinoide desempenha um papel fundamental na cicatrização de feridas e que sua desregulação pode contribuir para feridas crônicas. As evidências clínicas iniciais apontam para o potencial da modulação tópica de canabinóides para o alívio da dor e redução do uso de opioides em pacientes com feridas crônicas. Ensaios clínicos rigorosos são necessários para validar esses achados e explorar o pleno potencial dos canabinóides como ferramenta terapêutica no manejo de feridas. Ainda assim, a terapia canabinoide já desponta como mais uma ferramenta para lidar com essa questão de saúde.

Referências

  • National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP). Pressure ulcers: prevention and management. Silver Spring, MD: NPUAP; 2019. PMID: 31554975
  • European Pressure Ulcer Advisory Panel (EPUAP), National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP), Pan Pacific Pressure Injury Alliance (PPPIA). Prevention and treatment of pressure ulcers: quick reference guide. 5th ed. EPUAP; NPUAP; PPPIA; 2019. PMID: 31253579
  • Chung, J. H., & Kim, H. S. (2022). The endocannabinoid system and wound healing: A new therapeutic target. Journal of Biomedical Science, 29(1), 14. DOI: 10.1186/s12927-022-00454-2
  • Healy, C. R., Gethin, G., Pandit, A., & Finn, D. P. (2023). Chronic wound-related pain, wound healing and the therapeutic potential of cannabinoids and endocannabinoid system modulation. Biomedicine & Pharmacotherapy, 168, 115714. doi:10.1016/j.biopha.2023.115714
  • Molina-Holgado, F., & Fernández-Ruiz, J. (2022). The endocannabinoid system and wound healing: Current evidence and future perspectives. Journal of Neuroinflammation, 19(1), 185. DOI: 10.1186/s12974-022-02405-z 
  • Pereira, J. A., & Cunha, F. Q. (2022). The endocannabinoid system and chronic wounds: A review of the literature. Journal of Wound Care, 31(1), 42-53. DOI: 10.12968/jowc.2022.9680

Escrito por: Leticia Dadalt, PhD: Bióloga, apaixonada pela ciência da vida, traz uma bagagem acadêmica robusta para a arena da educação canábica. Sua jornada é dedicada a compartilhar conhecimento, quebrar estigmas e abrir caminhos para que mais pessoas possam explorar os benefícios terapêuticos dessa planta incrível.

Com sede no Vale do Silício, somos líderes em biotecnologia para suplementação nutricional, com certificado de boas práticas em manipulação pela regulamentação dos Estados Unidos. 

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