Doença de Alzheimer

A Doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo marcado por declínio cognitivo e perda de memória. Terapias baseadas em canabinoides, como CBD e THC, mostraram potencial em estudos, melhorando sintomas e qualidade de vida.

O que é o Alzheimer?

A doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo complexo e progressivo, caracterizado por declínio cognitivo, perda de memória e comprometimento do pensamento e comportamento. É a causa mais comum de demência na população idosa, representando aproximadamente 60-80% dos casos em todo o mundo. A doença afeta principalmente o córtex cerebral e o hipocampo, regiões do cérebro envolvidas na memória, aprendizado e funções cognitivas.

Vários fatores genéticos e ambientais De forma geral, fatores genéticos, ambientais e também de estilo de vida têm sido associados a um aumento no risco de desenvolver a doença de Alzheimer. Fatores de risco estabelecidos incluem falta de exercício, obesidade, hipertensão, diabetes, depressão e tabagismo.

Os mecanismos exatos que subjazem à patogênese da doença de Alzheimer ainda não são totalmente compreendidos. No entanto, acredita-se que o acúmulo de amiloide-beta e proteína tau desencadeia uma cascata de eventos, incluindo neuroinflamação, estresse oxidativo e neurotransmissão comprometida, levando à disfunção sináptica e degeneração neuronal.

Diagnóstico

O diagnóstico da doença de Alzheimer é baseado principalmente em avaliações clínicas, testes cognitivos e exames de imagem para visualizar depósitos de amiloide-beta e tau no cérebro. Os principais sintomas incluem perda de função cognitiva (por exemplo, perda de memória, perguntas ou declarações repetitivas, se perder), apatia, depressão, mudanças de humor, alterações no comportamento, insônia, inquietação, agitação e agressão, além de comportamentos anormais, como o ato de vagar sem rumo.

Atualmente, não há cura para a doença de Alzheimer, e os tratamentos disponíveis visam controlar os sintomas e retardar a progressão da doença.

Cannabis e Doença de Alzheimer

Existem 210 estudos relacionados à DA (Doença de Alzheimer) e cannabis, 75% de resultados clínicos positivos e 94% de resultados globais positivos. Destes, 90 são estudos primários:

  • Meta-análises Clínicas: 1
  • Ensaios Clínicos Duplo-cegos em Humanos: 2
  • Ensaios Clínicos em Humanos: 1
  • Meta-análises/Revisões Pré-clínicas: 30
  • Estudos em Animais: 37
  • Estudos de Laboratório: 19

Dados recentes sugerem que terapêuticas baseadas em canabinoides, como o CBD e o THC, podem atuar em sítios específicos de receptores no cérebro (por exemplo, CB1, CB2, PPARγ, TRPV1, mAChR) ou modular endocanabinoides (por exemplo, anandamida, 2-AG) e suas enzimas (FAAH e MAGL) para produzir potenciais efeitos terapêuticos relevantes para a doença de Alzheimer. 

Esses efeitos podem incluir a modulação do processamento anormal de proteínas Aβ e tau,  redução da neuroinflamação, excitotoxicidade, estresse oxidativo e disfunção mitocondrial. Estudos animais indicam um potencial de proteção contra danos cognitivos causados pela neuroinflamação, restaurando assim a memória e a função cognitiva.

Além disso, as terapêuticas baseadas em canabinoides parecem apoiar os mecanismos intrínsecos de reparo do cérebro, aumentando a expressão de neurotrofinas e estimulando a neurogênese.

Uma revisão sistemática de 2022 discutiu a correlação entre os ritmos circadianos, o sistema endocanabinoide (SEC) e sua ligação com a doença de Alzheimer, concluindo que o SEC pode, de fato, ser um alvo terapêutico para o tratamento da doença. De acordo com a pesquisa, a expressão do receptor CB2 melhora os déficits cognitivos através da redução da tauopatia e da ativação microglial, assim, sua modulação tem potencial de desacelerar a doença de Alzheimer.

Estudos clínicos em humanos apontam melhora nos sintomas de agitação, insônia, inapetência e na função cognitiva também. Na prática clínica, pacientes e/ou  familiares e cuidadores relatam uma melhora importante na qualidade de vida do paciente e da família. 

É importante ressaltar que nenhum estudo relatou que as terapêuticas baseadas em canabinoides pioram as patologias da DA.  A maioria dos estudos indicou potenciais benefícios terapêuticos. No entanto, algumas metanálises de ensaios clínicos forneceram resultados mistos ou inconclusivos devido à falta de estudos comparativos que possam mostrar os efeitos dependentes da dose induzidos por diferentes quimiotipos ou composições dos medicamentos à base de cannabis.

O quimiotipo I, onde há prevalência de THC (THC > CBD) mostrou induzir sedação consciente, com  efeitos adversos dependentes da dose. Portanto, são necessários esquemas de dosagem individualizados para encontrar o equilíbrio adequado entre relaxamento/sedação para cada paciente.

Por outro lado, o quimiotipo III, que são os óleos full spectrum ricos em CBD, os mais comumente encontrados, (THC <0,3%) pode induzir efeitos de melhoria do humor sem afetar a cognição ou causar receio de agitação ou comportamentos perturbadores. 

O quimiotipo II, com proporções equilibradas de THC:CBD, pode ser o equilíbrio ideal para alguns pacientes.

Além dos canabinoides, terpenos específicos encontrados na cannabis têm relevância para a DA, incluindo Limoneno, Mirceno, Fitol, Eucaliptol, Pineno, Borneol, β-cariofileno e Linalool.

As pesquisas têm avançado bastante e existem ensaios clínicos duplo-cego randomizados em andamento. Com isso, esperamos nos aproximar de uma melhor compreensão das nuances dos efeitos da dosagem e dos quimiotipos e seguir validando sua eficácia. Até agora, as descobertas indicam uma direção promissora para terapêuticas baseadas em canabinoides na DA (doença de Alzheimer).

Referências

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Escrito por: Leticia Dadalt, PhD: Bióloga, apaixonada pela ciência da vida, traz uma bagagem acadêmica robusta para a arena da educação canábica. Sua jornada é dedicada a compartilhar conhecimento, quebrar estigmas e abrir caminhos para que mais pessoas possam explorar os benefícios terapêuticos dessa planta incrível.

Com sede no Vale do Silício, somos líderes em biotecnologia para suplementação nutricional, com certificado de boas práticas em manipulação pela regulamentação dos Estados Unidos. 

Alopecia

A alopecia, ou queda de cabelo, é uma condição que afeta milhões de pessoas no mundo e impacta muito a autoestima. Estudos sugerem que o Sistema Endocanabinoide exerce um papel crucial no controle capilar, atuando através dos receptores CB1 e CB2 e também dos receptores TRPV e PPAR como moduladores do crescimento capilar, abrindo caminho para novas abordagens terapêuticas na alopecia.

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Câncer de Pele

O câncer de pele é uma condição preocupante e cada vez mais comum em todo o mundo. Caracterizado pelo crescimento anormal das células da pele, pode se manifestar de diversas formas, sendo os tipos mais comuns o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. A exposição excessiva aos raios ultravioleta (UV) do sol é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele, destacando a importância da proteção solar e da realização de exames regulares da pele para detecção precoce. Embora geralmente tratável se diagnosticado cedo, o câncer de pele pode se tornar grave se não for tratado adequadamente, destacando a necessidade de conscientização e prevenção. Avanços recentes nas pesquisas apontam o sistema endocanabinoide como potencial alvo no combate ao mais agressivo dos cânceres de pele, o melanoma.

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O óleo de semente de cânhamo é uma fonte rica de ácidos graxos essenciais, incluindo ômega-3 e ômega-6, que podem beneficiar a saúde da pele. O óleo de semente de cânhamo pode ser utilizado como hidratante, adicionado a produtos de cuidados com a pele ou consumido como suplemento alimentar para melhorar a saúde da pele de dentro para fora.

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