Atividade Física

A cannabis para desempenho esportivo, saúde de atletas e recuperação tem recebido atenção significativa nos últimos anos. Alguns estudos sugerem que a cannabis tem o potencial de ser utilizada como parte de estratégias para recuperar-se da fadiga e danos musculares relacionados ao esforço físico e cognitivo nos esportes, melhorando o desempenho.

O uso de canabinoides, especialmente o canabidiol (CBD), no desempenho esportivo, e saúde de atletas tem ganhado destaque nos últimos anos. Isso está parcialmente ligado à exclusão do CBD da lista de substâncias proibidas por federações e instituições esportivas internacionais, como a Agência Mundial Antidoping (WADA).

A ciência da cannabis medicinal e esportes/exercícios está em constante evolução. Alguns estudos indicam que a cannabis tem o potencial de ser usada como parte de estratégias para recuperação da fadiga e danos musculares relacionados ao esforço físico e cognitivo nos esportes. A maioria das vias fisiológicas que explicariam o papel da cannabis no desempenho esportivo ainda está em investigação. O que sabemos é que a atividade física intensa estressa o corpo, desencadeando a liberação de citocinas e causando uma resposta inflamatória no músculo, que se manifesta como dor no dia seguinte. A cannabis pode modular essa inflamação, acelerando a recuperação e reduzindo a dor.

A medicina esportiva é um campo diversificado, incluindo tópicos como osteoartrite, medicina de concussão, controle da dor e, é claro, desempenho esportivo. Pesquisas até agora demonstraram que canabinoides, especialmente o CBD, têm benefícios ansiolíticos, antidepressivos, anti-inflamatórios, neuroprotetores e imunomoduladores, além do potencial para efeitos modificadores de doenças, todos úteis no campo da medicina esportiva. Por exemplo, um estudo com jogadores de futebol sugere que o uso crônico de cannabis pode estar associado à melhora da resiliência funcional oculomotora e à supressão da resposta neuroinflamatória após 20 cabeceios no futebol.

Resumo dos efeitos da cannabis relevantes para atletas:

  • THC: Evidências sugerem que o THC pode prejudicar habilidades motoras, tempo de reação e tomada de decisões, impactando negativamente o desempenho físico. É proibido na maioria dos esportes competitivos.
  • CBD: As pesquisas estão em andamento, mas alguns estudos sugerem que o CBD pode melhorar a percepção de esforço (sentir-se menos cansado) e reduzir a ansiedade, potencialmente auxiliando na recuperação e preparação mental. No entanto, não aprimoraria diretamente as capacidades físicas. 

Dor e Recuperação: 

  • A cannabis, especialmente o THC, tem propriedades analgésicas que podem ajudar atletas a gerenciar dores e lesões, melhorando a motivação e a consistência nos treinos. 
  • O CBD tambémé promissor na redução da inflamação, fator-chave na recuperação muscular. 

Aspectos Mentais e Emocionais: 

  • O CBD pode beneficiar atletas que enfrentam ansiedade ou estresse pré-competição ou durante o treino. 
  • O potencial para melhoria do foco e do estado de “fluxo” também está sendo explorado. 
  • A qualidade do sono desempenha papel crucial na recuperação. A cannabis é eficaz no manejo de problemas de sono, o que poderia impactar indiretamente o desempenho.

Cuidados Importantes:

  • A pesquisa sobre cannabis e esportes está em estágios iniciais, e muito ainda é desconhecido. São necessários mais estudos controlados para tirar conclusões definitivas. 
  • Dosagem e timing são cruciais. Altas doses de THC podem ser contraproducentes, enquanto o CBD em momentos diferentes pode ter efeitos variados. As respostas individuais também podem diferir. 
  • As regulamentações sobre o uso de cannabis no esporte variam amplamente, e os atletas devem se manter informados sobre as regras de sua organização específica. 

Embora a cannabis medicinal tenha benefícios potenciais para o controle da dor, recuperação e aspectos mentais do esporte, a evidência para o aprimoramento do desempenho ainda é inconclusiva, pois as respostas são altamente individualizadas, dependentes da dose e do contexto. Ainda assim, mesmo que não seja positiva em todas as doses e circunstâncias, seu uso pode ser vantajoso no contexto certo.

E para praticantes não atletas?

Ao considerar o exercício além do desempenho atlético, a cannabis pode ser uma aliada para pessoas comuns que desejam se exercitar mais e melhor. A conhecida sensação de satisfação e bem-estar após a atividade física intensa, frequentemente chamada de “runner’s high” (em tradução livre, êxtase ou “barato” do corredor), que se pensava inicialmente ser causada pela liberação de endorfinas, pode, na verdade, estar relacionada ao sistema endocanabinoide. Um estudo de 2003 encontrou níveis elevados do endocanabinoide anandamida em voluntários após correrem ou pedalarem. Como esses mesmos receptores endocanabinoides são alvo de fitocanabinoides, faz sentido que usuários de cannabis possam desfrutar mais do exercício, conforme frequentemente relatado.

De fato, outro estudo constatou que o uso agudo de cannabis pode estar associado a uma experiência de exercício mais positiva. Pessoas que correram usando cannabis correram um pouco mais devagar, mas tiveram menos efeitos negativos e menos dor, além de maior sensação de tranquilidade, prazer, dissociação e mais sintomas do “runner’s high”.

Com a legalização da cannabis em ascensão em muitos países, os usuários estão cada vez mais combinando-a com o exercício. Outro estudo recente explorou essa tendência por meio de uma pesquisa online com 131 usuários de cannabis, investigando como e por que eles se exercitam usando cannabis. Os participantes realizaram em uma ampla variedade de atividades, desde caminhadas e ioga até o uso de máquinas aeróbicas, e suas principais razões para incorporar a cannabis incluíram melhora no foco, maior prazer e uma conexão mais profunda entre mente e corpo. No entanto, nem todas as experiências foram positivas, com alguns relatando resultados indesejados. Embora o tamanho amostral pequeno do estudo limite sua abrangência, ele contribui para o crescente corpo de pesquisa sobre cannabis e exercício, destacando a necessidade de uma exploração mais aprofundada de seus benefícios e riscos potenciais.

Perguntas nteressantes surgem das tendências encontradas em pequenos ensaios, estudos observacionais, depoimentos de pacientes e descobertas anedóticas. À medida que enfrentamos números sem precedentes de ansiedade, insônia, estresse e doenças relacionadas à obesidade, uma pergunta que surge imediatamente é: a cannabis pode ajudar as pessoas a se exercitarem mais? 

Neste novo ano que se inicia, vamos começar com vitalidade e movimento! Aproveite a energia dos novos começos movimentando seu corpo e tornando o exercício uma parte gostosa da sua rotina. Lembre-se de consultar um profissional de saúde se desejar incorporar a cannabis em sua rotina de exercícios.

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Escrito por: Leticia Dadalt, PhD: Bióloga, apaixonada pela ciência da vida, traz uma bagagem acadêmica robusta para a arena da educação canábica. Sua jornada é dedicada a compartilhar conhecimento, quebrar estigmas e abrir caminhos para que mais pessoas possam explorar os benefícios terapêuticos dessa planta incrível.

Com sede no Vale do Silício, somos líderes em biotecnologia para suplementação nutricional, com certificado de boas práticas em manipulação pela regulamentação dos Estados Unidos. 

Alopecia

A alopecia, ou queda de cabelo, é uma condição que afeta milhões de pessoas no mundo e impacta muito a autoestima. Estudos sugerem que o Sistema Endocanabinoide exerce um papel crucial no controle capilar, atuando através dos receptores CB1 e CB2 e também dos receptores TRPV e PPAR como moduladores do crescimento capilar, abrindo caminho para novas abordagens terapêuticas na alopecia.

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Câncer de Pele

O câncer de pele é uma condição preocupante e cada vez mais comum em todo o mundo. Caracterizado pelo crescimento anormal das células da pele, pode se manifestar de diversas formas, sendo os tipos mais comuns o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. A exposição excessiva aos raios ultravioleta (UV) do sol é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele, destacando a importância da proteção solar e da realização de exames regulares da pele para detecção precoce. Embora geralmente tratável se diagnosticado cedo, o câncer de pele pode se tornar grave se não for tratado adequadamente, destacando a necessidade de conscientização e prevenção. Avanços recentes nas pesquisas apontam o sistema endocanabinoide como potencial alvo no combate ao mais agressivo dos cânceres de pele, o melanoma.

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Óleo de Semente de Cânhamo – Cuidado Natural com a Pele

O óleo de semente de cânhamo é uma fonte rica de ácidos graxos essenciais, incluindo ômega-3 e ômega-6, que podem beneficiar a saúde da pele. O óleo de semente de cânhamo pode ser utilizado como hidratante, adicionado a produtos de cuidados com a pele ou consumido como suplemento alimentar para melhorar a saúde da pele de dentro para fora.

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